Sobre novas oportunidades

Escrever coloca as ideias no lugar. Ler traz novas ideias sem sair do lugar.

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Fiquei quase um ano sem aparecer por aqui pois 2016 foi um ano de novas escritas, leituras e lugares. Também pensei muito se deveria voltar a postar aqui no AT; foi uma das minhas resoluções de ano novo, repensar o blog. No entanto, duas coisas que aconteceram nos últimos dias me fizeram pensar em voltar por aqui.

A primeira foram os comentários de duas pessoas que eu gosto muito dizendo que eu deveria voltar a escrever sobre moda, livros e os outros tantos temas que vão “além das tendências”. A segunda foi uma mensagem sobre aproveitar oportunidades.

Muitas vezes perdemos oportunidades, grandes e pequenas. A oportunidade de sorrir. De dividir conhecimento, ou de aprender algo novo. A oportunidade de escrever sobre os assuntos que gostamos. Pois quando escrevemos sobre o que gostamos, as pessoas se identificam e leem. Isso é aproveitar a oportunidade que a internet nos dá: começar conversas com várias pessoas ao mesmo tempo.

Bora colocar o papo em dia?

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Nesse ano comecei um blog novo, o Travel Storytellers, cheinho de dicas de viagens e passeios. Passa lá e já vai se atualizando do que eu fiz no ano que passou.

Novas Barbies, mesmo sonho

Uma das notícias da semana que passou foi o anúncio dos novos modelos de Barbie. A Mattel, que amarga queda na venda das bonecas, decidiu mais uma vez se renovar e lançar a boneca em três tamanhos: alta, curvilínea e pequena. Ela também vem em diferentes etnias, da clássica loira à oriental, passando por negra, com cabelo azul e por aí vai…

 

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A estratégia para alavancar as vendas tem tudo a ver com a ideia que a Barbie prega desde sua primeira boneca, lá na década de 1950: que você pode ser o que quiser. Muita gente levantou bandeiras de que a Barbie pregava o culto à beleza irreal e ao consumismo. Não tiro a razão de ninguém, afinal as pessoas tem motivos para achar isso, mas sou uma grande defensora do caráter sonhador da Barbie. Ela era o meu brinquedo favorito na infância (já contei essa história aqui. Se você não lembra ou não viu, é só clicar) e eu ainda mantenho duas bonecas no meu quarto. Assisti a Barbie ir para o espaço em Barbie e Os Roqueiros centenas de vezes.

 

Sobre ser fã de Barbie no começo dos anos 1990, com um pé nos 1980; essa música vai ficar na sua cabeça, já aviso

A Barbie de fato permitia que fosse você quem você quisesse ser. Essa foi a ideia original de Ruth Handler, criadora da boneca e uma das fundadoras da Mattel, em uma época em que só existiam bonecas bebê, afinal mulher nascia para ser mãe, cuidar da casa e ponto final. As bonecas adultas foram um escândalo na época (“que mãe compraria uma boneca com seios?!”), mas também um grande sucesso: agora as meninas podiam sonhar em ser mães (quem lembra da Barbie grávida?), mas também em ter uma profissão.

O problema é que, quando a gente cresce, muitas vezes esquecemos de que realmente podemos ser o que quisermos. Afinal, é mais fácil criar uma história para uma boneca do que ter coragem para criar a sua própria história. Com a renovação, a Barbie mais uma vez enfatiza que qualquer pessoa pode seguir o seu sonho. Basta não ter medo de mudar.

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Não sei vocês, mas a minha Barbie sempre teve a minha cara… Ok, eu tive Barbies loiras também

P.S.: vocês já seguem a Barbie no Instagram? Façam isso, por favor

Coloque sua Grande Magia para trabalhar!

Terminei meu primeiro livro do ano! 😀

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O escolhido foi Grande Magia, de Elizabeth Gilbert. Você a conhece, a autora do best seller Comer, Rezar, Amar (que, por acaso, eu não li até hoje e agora fiquei com vontade). Enfim, tenha você lido ou não este ou outros livros de Elizabeth Gilbert, recomendo que você pare e leia Grande Magia.

A autora vê a criatividade como essa mágica, que pode acontecer quando menos se espera e transformar sua vida. Não estamos falando de inspiração: para Liz Gilbert, a criatividade é resultado de busca, trabalho e dedicação. Você não vai fazer nada artisticamente incrível se ficar sentado esperando por uma boa ideia; são as boas ideias que vão te encontrar se você estiver se preparando para elas.

Outra coisa: não cobre que sua criatividade te sustente. Seu sonho pode ser escrever um romance, dançar em um grande grupo, ser um músico clássico, não importa – não force sua criatividade a te sustentar. Tudo fica mais complicado de acontecer quando se envolve dinheiro. Dedique seu tempo livre a ela e mantenha seu emprego; pode ser que um dia sua arte seja seu emprego em tempo integral, pode ser que não. E tudo bem. O importante é que você não desista dela.

Enquanto apresenta suas ideias, Liz pontua a narrativa do livro com histórias que aconteceram com ela ou que aprendeu. Uma delas é sobre um livro chamado A Vida e As Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy, escrito por Laurence Sterne. O tal cavalheiro tratava o bloqueio criativo com elegância: quando não conseguia produzir nada, vestia-se da melhor maneira e voltava ao trabalho. Já parou para pensar no quanto estar arrumado ou não faz com que você produza mais?

Bom, eu já. E concordo totalmente com Liz, ou melhor, com Tristram.

Minha profissão, entre outras atribuições, pede que eu escreva. O que pra mim é ótimo, afinal o que eu sempre quis fazer foi escrever. Só que nem sempre essa é uma tarefa fácil, e percebo que se estou com preguiça de me vestir acabo também com preguiça de escrever. Percebi isso com mais clareza durante os meses que passei em casa dedicada ao #projetomonografia. Trabalhar de casa parece um sonho para muita gente; “posso trabalhar de pijama”, pensam. Eu não produzo de pijama. Preciso trocar de roupa e passar um batom, no mínimo. Ou isso ou a Grande Magia não dá as caras. Acho que ela se assusta…

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Então levante, arrume-se e vá trabalhar sua criatividade! Ou vá ler o livro da Elizabeth Gilbert e depois me contar o que achou, combinado?