Dia da Terra: a moda sustentável brasileira

Feliz Dia da Terra, minha gente! Bora vestir esse planeta com atitudes mais bonitas?

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A moda brasileira – ainda bem! – está repleta de bons exemplos. Trago aqui três inovações bacanas para vocês conhecerem 😉

Em abril de 2014, a Rhodia lançou o Amni Soul Eco, o primeiro fio biodegradável do mundo. Elaborado com tecnologia brasileira, ele se decompõe em 50% em pouco mais de um ano quando em aterros sanitários. A novidade foi apresentada pela primeira vez no desfile de Ronaldo Fraga.

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Peças de Ronaldo Fraga feitas com fio biodegradável

Desde 2000 a Natural Cotton Color, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) de Campina Grande (PA), desenvolve o algodão colorido. A produção de tecido se torna mais sustentável, já que dispensa a fase de tingimento da fibra de algodão, economizando água e uso de componentes químicos.

O algodão colorido pode se apresentar em quatro diferentes tonalidades: marrom (rubi), topázio, safira e verde claro. A cor se dá pelo cruzamento de diferentes espécies de algodão, sem uso de transgenia. Além de ser boa para o meio ambiente, a produção de algodão, uma das culturas mais resistentes ao clima seco típico da região Nordeste, emprega agricultores, pequenos artesãos e até presidiários, que conseguem reduzir suas penas com tecelagem e bordados.

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As quatro cores da Natural Cotton Color – e o branco, claro

Ainda dentro do assunto algodão, vale ressaltar que o Brasil é destaque mundial na produção da fibra de maneira sustentável. A BCI (Better Cotton Iniciative), certificação internacional de produção ecologicamente correta de algodão, registra que 66% do algodão sustentável produzido no mundo é cultivado e trabalhado em terras brasileiras.

Agora mudando de assunto, de acordo com levantamento divulgado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura em 2010, a produção de peixes atingiu 60,2% de crescimento apenas entre 2007 e 2009, com destaque para a produção de tilápias, que aumentou 105% em apenas sete anos (2003-2009). O que isso tem a ver com a moda? Acontece que a pele de peixes, em especial a de tilápia, pode ser uma solução sustentável para substituir o uso do couro de bovinos e outros animais.

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Acessórios feitos com couro de tilápia

Quando os peixes são pescados para consumo no mercado de alimentos, suas peles têm dois destinos: ou se tornam matéria-prima de ração para os peixes criados em cativeiro ou vão direto para o lixo. Usar a pele de pescado para a confecção de acessórios pequenos, como carteiras e cintos, ou combinar várias peles para criar bolsas e calçados, é uma aposta forte na qual o Brasil tem tudo para se dar bem. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil poderá se tornar um dos maiores produtores do mundo até 2030, ano em que a produção pesqueira nacional teria condições de atingir 20 milhões de toneladas.

O uso da pele de peixe para a confecção de acessórios não é uma novidade, mas sim uma oportunidade para investir. Produtores de Atibaia e Pindorama, ambas cidades do interior de São Paulo, já trabalham com a venda de couro de tilápia para confecção. A Aguapé, empresa especializada no curtimento da pele deste peixe, já firmou parcerias com marcas como a Vert, que produziu um tênis com patchwork de pele de tilápia por exemplo.

Entre todas essas ideias inovadoras, existem pequenas atitudes que podem fazer a diferença no planeta quando o assunto é moda:

não desperdice água quando for lavar suas roupas, deixando para lavar o máximo possível de uma vez só;

– verifique se as marcas que você usa tem compromisso com o meio ambiente ou com a sociedade;

– guarde bem sapatos e outros acessórios, para que eles tenham uma vida útil mais longa;

organize brechós de troca entre amigas. Uma roupa que não funciona mais para você pode agradar outra pessoa. E se sobrarem peças que ninguém quis, doe para quem precisa!

Parte desse texto faz parte de uma matéria feita por mim para a revista da Couromoda, distribuída em dezembro de 2014

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