Fashion Chronicle do Dia Internacional da Mulher: Spice Girls e o #girlpower

E amanhã se comemora o Dia Internacional da Mulher. Foram alguns minutos olhando para a tela em branco antes de pensar o que escrever nesta data, principalmente porque eu acho que, se nós, mulheres, buscamos uma posição igualitária em relação aos homens, uma data como essa só reforça a ideia de que ainda somos uma minoria. Mas uma minoria que não vai ficar quieta e observando.

O último símbolo “pop” do feminismo foi o discurso de Patricia Arquette ao receber o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar. Suas palavras sobre direitos e salários iguais para homens e mulheres rodaram o mundo, assim como a reação de Meryl Streep:

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Mas as minhas primeiras referências de feminismo vem dos anos 1990, com o #girlpower das poderosas Spice Girls. A ideia de “girl power” vem de várias outras mulheres da música do final dos anos 1980, mas realmente ganhou o mundo na boca das Spice.

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Na definição do dicionário Oxford, “girl power” é “o poder exercido pelas garotas, atitude de auto-suficiência que se manifesta em termos de ambição, assertividade e individualismo”. Basicamente, diz que mulher nenhuma precisa de um homem para chegar onde quiser. Ou de outra mulher. Ou de ninguém. A verdade é uma só: as mulheres tem tanta capacidade quanto os homens para alcançar seus objetivos. Sendo assim, devem ter seu trabalho valorizado e salário compatível.

Partindo dessa ideia, temos diversas músicas das Spice – todas complementadas com looks apimentados, como de costume – que reforçam essa ideia. Trilha sonora do dia e músicas para guardar no coração e na cabeça:

If you wanna be my lover, you gotta get with my friends
Make it last forever, friendship never ends
If you wanna be my lover, you have got to give
Taking is too easy, but that’s the way it is (Wannabe)

Tradução resumida – homem nenhum vai ficar entre uma mulher e seus amigos

You have got to reach on up, never lose your soul
You have got to reach on up, never lose control (Who Do You Think You Are)

Tradução resumida – não desista do seu sonho e não se esqueça que, para alcançá-lo, você só precisa se manter fiel a si mesma

That’s all in the past
Legends built to last
But she’s got something new
She’s a power girl
In a ninties world
And she knows just what to do (The Lady is a Vamp)

Tradução resumida – as conquistas de muitas mulheres construíram o que somos hoje. Mas só as mulheres de hoje sabem o que é preciso para viver no nosso mundo, bem como as heranças que vamos deixar.

E que continuemos conquistando e evoluindo como mulheres e como humanidade. Generation next! 😉

Dia Internacional da Mulher: a moda faz parte desta história

Meninas, hoje é o nosso dia! Parabéns para nós!

E se tem uma coisa que tem muito a ver com as mulheres é a moda. Você pode ser daquelas que não se importa com o que veste, que vive dizendo que “pegou a primeira peça que viu no guarda-roupa”, mas a moda está ali, dentro de você. Não acredita?

A “primeira peça do guarda-roupa” com certeza é aquela que lhe faz se sentir bem. Nenhuma mulher sai de casa com uma roupa que não a deixe, no mínimo, confortável (e, no máximo, pronta para matar rs). Os homens perdem a paciência conosco muitas vezes quando decidimos ir comprar roupas, mas eles não entendem que estamos em busca da “camisa perfeita”, ou da “saia perfeita”, do “vestido perfeito”…

Fora isso: temos muitas opções de roupas, muitas mais do que eles. Podemos usar vestidos, saias, calças, camisas, blusas, shorts… E acessórios então? Aí ganhamos de lavada: brincos, pulseiras, aneis, echarpes, lenços, tiaras, prendedores de cabelo de todas as formas e cores…e muito, mas muito mais!

Mas o mais importante é olharmos a moda como mercado: talvez seja o único em que as mulheres tem mais destaque e ganham mais dinheiro do que os homens. Pense no mundo das modelos: existe um modelo masculino equivalente a Gisele? Mesmo em menor destaque, os modelos recebem menos que as modelos.

Quando o assunto são os estilistas, as coisas ficam mais equilibradas: homens e mulheres desenvolvem trabalhos belíssimos e desfilam nas mesmas semanas de moda há muito tempo. E é esse equilíbrio que devemos buscar em todos os outros aspectos da vida: hoje é nosso dia, mulheres, mas não somos melhores nem piores do que os homens. Somos seres humanos, dotados de raciocínio e sentimentos; somos iguais.

 

Mulheres que me inspiram…

Audrey Hepburn

Coco Chanel

Clarice Lispector

Vamos falar de coisa boa? Vamos falar de C… CLAUDIA

Gente, não posso partir rumo ao Rio sem fazer uma pausa na moda para comentar o Fórum CLAUDIA. Realizado na última terça-feira lá no Shopping Frei Caneca, o encontro reuniu mulheres de todas as idades, estilos, ideias. E bota mulher nessa conta…

Um pedacinho do Fórum CLAUDIA - Foto: Carolina Porne

Cheguei cedo. Ao pegar o elevador, perguntei a uma das meninas que estavam coordenando o evento: “Chegou muita gente?”. “Ah, chegou sim”. Confiante, subi ao sétimo andar e me deparei com a maior quantidade de mulheres por metro quadrado que já vi na vida. Esqueça academia, shopping, loja em liquidação: só uma revista com o peso histórico e sentimental de CLAUDIA conseguiria congregar aquele mundo de mulheres.

Alguns grupos conversavam animadamente. Outras estavam sozinhas, em pé ou nos sofás brancos. Mas no fundo queriam estar conversando, ô se queriam. Enquanto aguardava o debate começar, bati papo com três mulheres diferentes. E, quando entramos, conversei também com a que estava sentada ao meu lado na platéia. Falar é bom, quebra o gelo. Ao abrirem as portas, Beyoncè tocava no salão, como se cada uma de nós pudesse ser tão poderosa quanto ela.

E lá vem Cynthia Greiner, a diretora de redação, um luxo. Antes de começar o debate, ouvimos as palavras da representante do Santander, patrocinador do evento. E foi como se a palestra já começasse. Mãe de três filhos, mineira que mora em Campinas com marido que mora no Rio. Executiva. Moderna. Uma mulher que não quer ser mais multi-tarefa, mas ter múltiplos interesses. Como cada uma de nós.

Ela falava sobre a importância de fazer escolhas, e ser pragmática frente à elas. Não sentir tanta culpa. Disse que estamos cada vez mais chatas e reclamonas, e está certa. Saiu aplaudida, e o fórum começou. Cynthia de Almeida, do Movimento Habla, Jorge Forbes, psicanalista, e Denise Fraga, atriz que dispensa apresentações, entraram para começarmos a conversar e entender um pouco sobre as mulheres, sobre nós mesmas.

Estar em um evento da CLAUDIA foi interessante, afinal muitas das preocupações daquelas mulheres estão bem longe de mim. Não sou casada, não tenho filhos, acabei de terminar a faculdade, tenho menos de 25 anos. Mas queria sugar cada palavra dita, cada bandeirada branca (que significava aprovação), cada risada, cada problema. Um dia serei a leitora padrão de CLAUDIA, com aquelas questões para resolver, só que, graças à ela, melhor preparada.

Coisas que eu anotei e quero compartilhar com vocês:

– Sentimos uma cobrança constante devido ao excesso de informação que recebemos. Há sempre um filme novo para ver, um livro ou artigo para ler, um vídeo no Youtube para acessar…

– As mulheres ocupam, em média, 113 horas semanais realizando suas tarefas. Uma semana tem 168 horas…

– Hoje temos mais opções de escolha, e nos frustramos por deixar as outras opções para trás.

– Precisamos nos livrar dos “setenquês”. Você tem que fazer isso, tem que fazer aquilo…

– O poder da gentileza firme: ser gentil, mas não dar o braço a quem pede a mão. Ter a coragem de dizer não, e de ouvir não.

– Não existe mais um percurso de vida determinado, ok? Quer largar tudo e ir para a praia? Vai!

– A mulher não sabe o que fazer com as portas que o feminismo abriu.

#reflita

 

Gostou? Odiou? Queria ter participado? Ano que vem tem de novo!