Dia da Terra: a moda sustentável brasileira

Feliz Dia da Terra, minha gente! Bora vestir esse planeta com atitudes mais bonitas?

terra

A moda brasileira – ainda bem! – está repleta de bons exemplos. Trago aqui três inovações bacanas para vocês conhecerem 😉

Em abril de 2014, a Rhodia lançou o Amni Soul Eco, o primeiro fio biodegradável do mundo. Elaborado com tecnologia brasileira, ele se decompõe em 50% em pouco mais de um ano quando em aterros sanitários. A novidade foi apresentada pela primeira vez no desfile de Ronaldo Fraga.

rhodia-e-coleção-ronaldo-fraga-verão-2015-5

Peças de Ronaldo Fraga feitas com fio biodegradável

Desde 2000 a Natural Cotton Color, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) de Campina Grande (PA), desenvolve o algodão colorido. A produção de tecido se torna mais sustentável, já que dispensa a fase de tingimento da fibra de algodão, economizando água e uso de componentes químicos.

O algodão colorido pode se apresentar em quatro diferentes tonalidades: marrom (rubi), topázio, safira e verde claro. A cor se dá pelo cruzamento de diferentes espécies de algodão, sem uso de transgenia. Além de ser boa para o meio ambiente, a produção de algodão, uma das culturas mais resistentes ao clima seco típico da região Nordeste, emprega agricultores, pequenos artesãos e até presidiários, que conseguem reduzir suas penas com tecelagem e bordados.

organic_cotton_colors

As quatro cores da Natural Cotton Color – e o branco, claro

Ainda dentro do assunto algodão, vale ressaltar que o Brasil é destaque mundial na produção da fibra de maneira sustentável. A BCI (Better Cotton Iniciative), certificação internacional de produção ecologicamente correta de algodão, registra que 66% do algodão sustentável produzido no mundo é cultivado e trabalhado em terras brasileiras.

Agora mudando de assunto, de acordo com levantamento divulgado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura em 2010, a produção de peixes atingiu 60,2% de crescimento apenas entre 2007 e 2009, com destaque para a produção de tilápias, que aumentou 105% em apenas sete anos (2003-2009). O que isso tem a ver com a moda? Acontece que a pele de peixes, em especial a de tilápia, pode ser uma solução sustentável para substituir o uso do couro de bovinos e outros animais.

couro-de-tilapia-vira-acessorios-elegantes-e-ecologicamente-corretos-9455-1

Acessórios feitos com couro de tilápia

Quando os peixes são pescados para consumo no mercado de alimentos, suas peles têm dois destinos: ou se tornam matéria-prima de ração para os peixes criados em cativeiro ou vão direto para o lixo. Usar a pele de pescado para a confecção de acessórios pequenos, como carteiras e cintos, ou combinar várias peles para criar bolsas e calçados, é uma aposta forte na qual o Brasil tem tudo para se dar bem. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil poderá se tornar um dos maiores produtores do mundo até 2030, ano em que a produção pesqueira nacional teria condições de atingir 20 milhões de toneladas.

O uso da pele de peixe para a confecção de acessórios não é uma novidade, mas sim uma oportunidade para investir. Produtores de Atibaia e Pindorama, ambas cidades do interior de São Paulo, já trabalham com a venda de couro de tilápia para confecção. A Aguapé, empresa especializada no curtimento da pele deste peixe, já firmou parcerias com marcas como a Vert, que produziu um tênis com patchwork de pele de tilápia por exemplo.

Entre todas essas ideias inovadoras, existem pequenas atitudes que podem fazer a diferença no planeta quando o assunto é moda:

não desperdice água quando for lavar suas roupas, deixando para lavar o máximo possível de uma vez só;

– verifique se as marcas que você usa tem compromisso com o meio ambiente ou com a sociedade;

– guarde bem sapatos e outros acessórios, para que eles tenham uma vida útil mais longa;

organize brechós de troca entre amigas. Uma roupa que não funciona mais para você pode agradar outra pessoa. E se sobrarem peças que ninguém quis, doe para quem precisa!

Parte desse texto faz parte de uma matéria feita por mim para a revista da Couromoda, distribuída em dezembro de 2014

SPFW Verão 2016: cintos, sereias e Gisele Bündchen

Gente, que dia! Teve sereia, teve retorno e teve despedida. Pode pegar aquele cafezinho gostoso que hoje a gente vai longe, pois o terceiro dia de São Paulo Fashion Week tem muita história – e muitos acessórios – para contar. Simbora?

– o cinto de Isabela Capeto

Ah, ela está de volta! Depois de anos sem apresentar suas coleções no SPFW, a estilista traz de volta seu lado “feito a mão” para as passarelas paulistanas. Inspirada nas praias cariocas e na imagem de Iemanjá, seu verão tem apelo ladylike (adoro!), com muita cintura marcada, seja com cintos como esse ou em drapeados da própria roupa.

detalhes-isabelacapeto-spfw-verao2016-001014-654x983

– o sapato com meias de Reinaldo Lourenço

Reinaldo Lourenço se inspirou em George Sand, romancista e baronesa de Dudevant, para criar uma coleção com forte apelo masculino, mas sem perder a feminilidade jamais! O sapato usado com meias brancas foi um charme a parte…

detalhes-reinaldolourenco-spfw-verao2016-0010561-654x983

– as sandálias de Alexandre Herchcovitch

Desfilando sua coleção no Instituto Tomie Otake, em Pinheiros, Herchcovitch foi buscar suas referências no mundo oriental, mais especificamente nas chamadas “pescadoras de pérolas”: Essas mulheres, especialistas em descer até nove mil metros mar gelado abaixo usando apenas um “fundoshi” (tapa sexo), mergulhavam em busca das pedras preciosas e, se de fato as encontrassem, recebiam um bônus. Contei essa história toda só para explicar as sandálias que as modelos usavam, que remetem aos chinelinhos das gueixas, mas acrescidas de salto e amarrações.

detalhes-alexandreherchcovitch-spfw-verao2016-001040-654x983

– a bolsa de Ronaldo Fraga

Antes de falar do acessório, pausa para falar da ambientação do desfile de Ronaldo Fraga. Sua inspiração eram as sereias, e ele de fato trouxe algumas para a sua apresentação! Mulheres reais, usando apenas saias que lembram as caudas das criaturas míticas, permaneceram sentadas na passarela durante todo o desfile. Enquanto isso, modelos desfilavam roupas e acessórios fluidos como essa maxibolsa.

detalhes-ronaldo-fraga-spfw-verao2016-0010501-654x985

sereias-ronaldo-fraga-1429132075558_956x500

Olha aí as sereias reais do Ronaldo Fraga!

– o sapato da Lolitta

Com tricôs e bordados de Swarowski, a marca se inspirou no filme O Jardim Secreto (1993), além de trazer algumas referências da moda anos 1950. Que tal esse sapato com ares de boneca, mas que ao mesmo tempo é a cara do verão?

detalhes-lolitta-spfw-verao2016-001040-654x983

– a touca da Salinas

Também inspirada no Marrocos (lembra a Ellus? Então…), a marca de moda praia apostou em um acessório que talvez não combine muito com sol e areia: toucas! Sim, toucas no verão! Elas deram um toque street aos looks de praia. Uma coisa meio skate no calçadão de Copacabana, sentiu?

sali-det-ms-v16-005-654x983

– o lencinho de Vitorino Campos

O estilista buscou uma referência bem específica para o seu desfile de verão: a relação entre Patti Smith e Robert Mapplethorpe. Ela, consagrada roqueira e ícone cultural da década de 1970. Ele, fotógrafo ousado, que tem os retratos de nus como suas imagens mais famosas, algumas delas que remetem ao sadomasoquismo. O namoro e amizade dos dois rende pano para a manga, ou para os lenços que lembram bandanas de Vitorino. Pode associar com o rock’n roll ou com o sadomasô: você escolhe.

detalhes-vitorinocampos-spfw-verao2016-001017-654x983

– os tênis de cano médio de João Pimenta

Gente, como eu gosto dos desfiles desse homem! Ousado que só ele, ele desafia os padrões da moda masculina, e nessa temporada isso não seria diferente. Dessa vez ele quis brincar com os comprimentos das peças: uma jaqueta poderia ser curtinha, nos quadris ou alongada. E, claro, um tênis pode ter canos de diferentes alturas. Que tal o médio?

detalhes-joao-pimenta-spfw-verao2016-14-654x983

– o pulseirismo da Colcci

Segura a emoção que daqui a pouco eu falo da Gisele! Vamos às inspirações da coleção primeiro, que vem, assim como de várias outras marcas, da década de 1970. A canção Flower Punk, de Frank Zappa, que deu o tom dessa coleção, e nada melhor para misturar rock e hippie do que um belo conjunto de pulseiras. Atitude, a gente vê por aqui.

detalhes-colcci-spfw-verao2016-28-654x985

Agora sim, a estrela da noite: Gisele Bündchen!

detalhes-colcci-spfw-verao2016-1-654x983

A super modelo brasileira encerrou sua carreira nas passarelas (nas passarelas, que fique bem claro!) na semana de moda que a descobriu, com a marca da qual foi garota-propaganda (e ainda é) e sob os olhares admirados de marido na primeira fila, plateia e das colegas modelos. Poderia falar um monte de coisas, mas acho melhor deixar aqui o vídeo do desfile. Gisele não chegou onde chegou de graça: tem brilho, carisma, talento. E vai fazer falta.

Ufa! Escrevi demais hoje né? Mas vou adorar ler seus comentários: o que você achou do terceiro dia de desfiles?

Crônica Fashion Especial SPFW: desfiles e seus atrasos

E começou mais um São Paulo Fashion Week, minha gente! Hoje consegui assistir três desfiles e meio: Ronaldo Fraga, Têca por Helô Rocha e (divo!) FH por Fause Haten, mais metade do da Ellus. Este desfile da Ellus estava previsto para começar às 21h: começou 22h30. Uma hora e meia de atraso! Mas a culpa não é só desta grife: TODAS as marcas atrasaram seus desfiles. E elas acham isso NORMAL!

Eu entendo tudo, sabe? Entendo que tem modelo que desfila para todas as marcas, entendo que tem que refazer maquiagem, ensaiar na passarela, desmontar cenário (quando há). Tudo isso é compreensível. Mas, se todo mundo já sabe disso, porque não marcar os desfiles em horários reais? Não prometa começar um desfile uma hora após o outro se em uma hora não dá tempo de fazer tudo o que precisa ser feito… E, no mínimo, uma grande falta de respeito: com quem assiste, com quem modela, com todo mundo!

Passado o breve momento de revolta, vamos aos destaques do dia…

Osklen – essa aqui veio para esquentar mesmo o inverno. E, no calor que estava hoje em São Paulo, imagino que o melhor amigo das modelos tenha sido o ar condicionado. Como bem disse uma grande professora minha, a Osklen está muito voltada para o mercado internacional. Desculpem amores, mas frio assim ainda não tem no Brasil…pelo menos não com direito a lã de alpaca!

Ronaldo Fraga – mais uma coleção brilhante e com uma surpresa no final, a ciranda de modelos, que portavam tranças e-nor-mes, de dois metros de comprimento, ora enroladas, ora nas mãos. As formas amplas ganharam ainda mais fluidez depois dessa dança bem montada, que abriu os “trabalhos” no parque Villa Lobos, já que o desfile da Osklen foi realizado fora do parque, em uma galeria no bairro dos Jardins.

Têca por Helô Rocha – gratíssima surpresa a coleção de Helô Rocha! Tudo muito suave, feminino, lindo! Gostaria de ter pelo menos 70% dos figurinos desfilados dentro do meu guarda-roupa, e acredito não ser a única!

FH por Fause Haten – precisa mesmo falar desse cara? Esse cara que faz roupas simplesmente fabulosas e ainda se dá ao luxo de cantar no próprio desfile? Um arraso! (antes que alguém abra a boca para falar “ah, tá vendo, nada que se desfila no SPFW dá para usar na rua, atenção: estamos falando aqui de, como o outro diz, “despirocamento da arte”. O negócio aqui é pirar na batatinha mesmo, e Fause Haten cria o seu universo de maneira sublime)

Tufi Duek – também peguei só o finalzinho do desfile da grife de Eduardo Pombal, mas continuo achando a mesma coisa: isso que é roupa para mulheres finas e fatais! Ainda mais no desfile de hoje, repleto de peças pretas, justas…um clima que para alguns pareceu sombrio me fez lembrar aquele sorriso misterioso, faceiro mesmo, que só nós mulheres sabemos dar. O clássico Os Pássaros, do gênio  Alfred Hitchcock, foi a inspiração. Sentiu o suspense no ar?

Triton – a palavra de ordem aqui é “continuidade”. A grife manteve a mesma base que a inspirou no desfile de verão 2013. Sportswear fino, com peças amplas e utilitárias, daquelas com bolsos e zíperes por todos os lados.

Ellus – performática, a grife colocou um verdadeiro exército de modelos na passarela demarcando o caminho dos outros que iriam desfilar. As peças são descomplicadas, mas nem por isso pouco luxuosas. A cartela foi escura, de cinzas e azuis, com toques amarelo solares para animar a plateia.

E agora bora dormir que amanhã tem muito mais! 🙂